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Surf e poluição, qual a relação?

Inspirada em nossa participação no SurfCiência, aqui vai um pouco sobre esse tema que achei tão interessante e desafiador.


Da forma mais direta possível, o lixo no mar é um incômodo pra quem tá surfando e pode até causar danos físicos ao surfista.


Essa foto que viralizou foi tirada pelo fotógrafo Zak Noyle durante uma campanha num ponto remoto ao largo da costa de Java, na Indonésia. Em 2012, quando Zak estava no local fotografando o surfista indonésio Dede Suryana (na imagem). Na entrevista que li, ele diz que viu-se a nadar, literalmente, num mar de lixo. “Pensei que íamos ver um cadáver na água.”


Indiretamente, os efeitos tóxicos no nosso organismo a longo prazo ainda estão em estudos. Mas já se sabe sobre os efeitos danosos do contato com água contaminada no organismo. Por exemplo, em 2015, na quarta etapa do Circuito Mundial de surfe, no Rio, o local das provas teve que ir pra outro lugar devido à poluição, mas mesmo assim alguns surfistas como Filipe Toledo e Kelly Slater se sentiram mal durante a competição e creditaram a poluição no Posto 6 da Barra como uma possível causa para os problemas de saúde.



A maioria dos surfistas tem uma relação de muito respeito com os oceanos, e lutam para a proteção dos mesmos. Muitas iniciativas têm sido criada pelos surfistas mundo afora pra solucionar o problema da poluição marinha e pra gerar conscientização e a movimentação das autoridades.

Por exemplo, a Liga Mundial de Surfe (WSL), entidade que organiza as principais competições do esporte, lançou em junho deste ano a campanha "#STOPTRASHINGWAVES" - pare de sujar as ondas, em português. Através de sua ONG, a "WSL Pure", a organização quer inspirar a população global a combater a poluição do mar e proteger os oceanos.



Outra grande ação foi a mudança do nome oficial da etapa do circuito mundial de Corona Bali Pro para Corona Bali Protected. A mudança é parte de uma campanha da patrocinadora principal do evento para alertar sobre os altos níveis de poluição por derivados do plástico nos oceanos.

A WSL é gigantesca e tem uma baita reputação no mundo do surfe! Ter esse engajamento é importantíssimo, já que coloca praticantes e amantes do esporte a se atentarem para toda essa problemática!!


Bom, mas como nem tudo são flores... tudo o que a gente faz enquanto seres humanos afeta o meio ambiente de alguma forma e a prática do surfe também tem um impacto significativo nos oceanos.

Entre os surfistas, são poucos os que têm consciência do quanto esse esporte que está intimamente ligado à natureza pode ser poluente. Por exemplo, a fabricação de pranchas envolve muiiito material químico pesado, além da sobra de material durante a fabricação, que costumam ser descartados sem cuidados ambientais devido à informalidade da maioria das fábricas.


Vale o questionamento para você, que surfa ou admira o esporte: já parou para pensar do que são feitas as pranchas?

São feitas principalmente de espuma de poliuretano, resina de poliéster (ou epóxi), fibra de vidro e outras substâncias químicas não biodegradáveis.

Para a fabricação de uma prancha, variando de tamanho e material, em média são utilizados 10,88 kg de materiais diversos para um produto final de apenas 3,17kg. Entre moldagem, pintura, laminação e produto final, sobram do processo pó de poliuretano, vapor de tinta vinílica, fibra de vidro, resina endurecida, poeira de fibra e de resina, além das embalagens dos materiais utilizados.


Outro impacto muito grande das práticas do surf sobre os oceanos é a utilização de parafinas. Parafina, que é um petrolato, uma mistura de hidrocarbonetos, é prejudicial aos organismos aquáticos, e a água contaminada é imprópria para uso ou consumo humano. Deve-se evitar derramamentos ou descarte na natureza, pois podem alcançar lençóis freáticos subterrâneos via percolação (absorção pela porosidade do solo). Já na superfície da água, por ser mais denso em relação a ela e pouco solúvel, ele forma uma película impermeável entre o líquido e a atmosfera, impedindo o plâncton de efetuar trocas gasosas saudáveis de oxigênio com o ar, o que o afeta negativamente.

Ai você deve estar pensando “nossa, mas que exagero, é tão pouca parafina para afetar um oceano desse tamanho...” Mas pensa com a gente: quando a parafina da prancha fica velha, suja e gordurosa, a primeira providência é raspá-la e aplicar uma nova camada. Portanto, se multiplicarmos os cerca de 25 milhões de surfistas do planeta por 50 gramas de parafina raspada, são descartadas 1,25 mil toneladas (!!!!!) a cada limpeza da prancha (cálculo baseado na pesquisa de Paulo Grijó).



Maaaaas calma, existem alternativas! Começando pelas parafinas, existem as parafinas feitas sem parafinas, tcharaaaaam!!

São materiais biodegradáveis. Na maioria dos casos, eles substituem os derivados de petróleo por cera de abelha, do subproduto da apicultura, junto com outros ingredientes orgânicos em combinações que dão certo. No Brasil, exemplos de marcas encontradas são:

  • Ulladulla

  • Bee surf Wax

  • Bio Parafinas

  • Parafinaria

Já para as pranchas, o processo é longo, existem outras alternativas, como as pranchas feitas com fibras vegetais (bambu, linho, agave, balsa etc.), entretanto, estas ainda não correspondem às expectativas dos surfistas comparada as tradicionais. Mas não devemos desanimar, temos que continuar pressionando a indústria na procura de alternativas válidas. As pranchas feitas de madeira agave prometem ser uma bela alternativa; já existe no mercado a marca Agave Hunter, do premiado projeto desenvolvido pelo surfista e estudante de oceanografia Marcelo Ulysséa, junto com a engenheira civil e pós-graduada em meio ambiente Marcella Silvestro, onde promovem o aproveitamento do pendão floral descartado do Agave – cujas folhas são usadas em larga escala na fabricação de sisal – para a produção de blocos ecológicos e biodegradáveis.

Em relação ao desperdício de material durante a fabricação de pranchas, já é possível a produção de blocos de concreto incorporados com resinas, isolamento termoacústico e artigos de arte e decoração.



Por fim, o que você, surfista, pode fazer pelo planeta hoje?


Tem alguma prancha velha em casa? Se a prancha ainda estiver em estado de conservação razoável, leve para uma escolinha de surf ou presenteie o vizinho que não tem condição de comprar uma nova.

Vai surfar de carro? Dê carona, combine com os amigos, diminua sua pegada de carbono e a quantidade de carro no pico;

Questione, repense e dê preferências para materiais e marcas mais ecologicamente corretas; limpe uma praia e reduza sua produção de lixo; diga não aos descartáveis e leve essa ideia pra outras pessoas.

Pressione a indústria, nós como consumidores temos um poder enorme em nossas mãos!!!!


Por: Lorena Oliveira

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